O Que vive Em Mim
Tenho em mim a tristeza do choro duma criança triste,
Tenho em mim a solidão dos ostracizados abandonados,
Tenho em mim o meu grito mudo da revolta esquecida,
Tenho em mim o meu sentido da vida vilipendiado,
Tenho em mim o peso ocioso da vossa ignominia,
Tenho em mim o vírus corrosivo da dor latente,
Tenho em mim o entediante síndrome do viver,
Tenho em mim as tempestades sôfregas a trovejar,
Tenho em mim as saudades das falsas memórias,
Tenho em mim o achamento do falso Santo Gral,
Tenho em mim a passar correntes de rios bravos,
Tenho em mim a tua imagem fresca de alva luz,
Tenho em mim os sonhos sentidos nunca vividos,
Tenho em mim o deserto da seca alma exaurida,
Tenho em mim o doce caminho para o abismo,
Tenho em mim o meu próprio destino indefinido,
Tenho em mim os teus perfumados ramos de flores,
Tenho em mim todos os maus anos exorcizados,
Tenho em mim uma bola de sabão passageira,
Que nasceu ofuscada pelas trevas reinantes.
Lisboa, 15-8-2013
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Coruja Doce ê..
Julian Lael
Porque inteligência é tão braba, Não há como fugir dela pinguim; E age na surdina, logo acaba, Com o intelecto do mai…
Julian Lael
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*