🔵 Vandalismo socialmente permitido
Um pouco de cerveja é o suficiente para transformar uma turma de amigos numa perigosa gangue urbana. Andando pelas ruas da cidade, meio sem destino, ou melhor, à procura de um bar aberto. Esta era a desculpa para descontarmos a raiva juvenil sem causa.
Entretanto, o mobiliário urbano exibia uma novidade que atrapalhava a nossa circulação. Alguém mal pago exerceu um subemprego proibido: “decorou” os postes com propaganda burguesa irregular. Nunca surgiu uma oportunidade tão atrativa para destruir um patrimônio, fingindo lutar contra o capitalismo. Aquelas placas estavam fixas nos postes, com arame. Parei para ler o anúncio: lançamento... empreendimento imobiliário... apartamento amplo... 2 e 3 dormitórios...
Aquela oferta me ofendia, pois eu não poderia adquirir aquele imóvel do anúncio. Um súbito espírito socialista surgiu, a burguesia feriu o meu orgulho proletário e despertou uma inédita sede de justiça social. Vendo que meus comparsas compartilhavam da sanha exterminadora, com sangue nos olhos e faca entre os dentes, decidimos eliminar a propaganda antes que o domingo amanhecesse e o estrago capitalista já tivesse contaminado a cidade industrial da Grande São Paulo.
Em duplas, fomos golpeando aqueles anúncios colados em cavaletes de madeira. Com a atitude imbecil, queríamos fracassar o lançamento imobiliário e franquear a livre circulação àquele povo operário sofrido. Se dependesse de um punhado de roqueiros bêbados, os apartamentos permaneceriam vazios.
O ato representava a “revolta do bem”. Sem sabermos, aquela estupidez, que era a manifestação da imbecilidade juvenil, tornou-se um meio de vida para Guilherme Boulos. Embora eu seja crítico daquela infeliz noite explosiva, quando houve a perigosa combinação de testosterona com álcool, o senhor chamado Boulos parece que gostou da ideia e faz isso até hoje. Ele encontrou uma turba enfurecida para chamar de sua e liderar o quebra-quebra.
A hipocrisia da justiça social, como um coringa, serviu para justificar nosso vandalismo insano. Contudo, há quem continue com este comportamento. Chamam isto de ideologia e até fundam partidos.
Entretanto, o mobiliário urbano exibia uma novidade que atrapalhava a nossa circulação. Alguém mal pago exerceu um subemprego proibido: “decorou” os postes com propaganda burguesa irregular. Nunca surgiu uma oportunidade tão atrativa para destruir um patrimônio, fingindo lutar contra o capitalismo. Aquelas placas estavam fixas nos postes, com arame. Parei para ler o anúncio: lançamento... empreendimento imobiliário... apartamento amplo... 2 e 3 dormitórios...
Aquela oferta me ofendia, pois eu não poderia adquirir aquele imóvel do anúncio. Um súbito espírito socialista surgiu, a burguesia feriu o meu orgulho proletário e despertou uma inédita sede de justiça social. Vendo que meus comparsas compartilhavam da sanha exterminadora, com sangue nos olhos e faca entre os dentes, decidimos eliminar a propaganda antes que o domingo amanhecesse e o estrago capitalista já tivesse contaminado a cidade industrial da Grande São Paulo.
Em duplas, fomos golpeando aqueles anúncios colados em cavaletes de madeira. Com a atitude imbecil, queríamos fracassar o lançamento imobiliário e franquear a livre circulação àquele povo operário sofrido. Se dependesse de um punhado de roqueiros bêbados, os apartamentos permaneceriam vazios.
O ato representava a “revolta do bem”. Sem sabermos, aquela estupidez, que era a manifestação da imbecilidade juvenil, tornou-se um meio de vida para Guilherme Boulos. Embora eu seja crítico daquela infeliz noite explosiva, quando houve a perigosa combinação de testosterona com álcool, o senhor chamado Boulos parece que gostou da ideia e faz isso até hoje. Ele encontrou uma turba enfurecida para chamar de sua e liderar o quebra-quebra.
A hipocrisia da justiça social, como um coringa, serviu para justificar nosso vandalismo insano. Contudo, há quem continue com este comportamento. Chamam isto de ideologia e até fundam partidos.
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