🔵 That 70s show
Aquele show era uma farsa, começando pelo nome da turnê: “Fithy Lucre” (lucro sujo). Assim, fomos assistir a uma banda de punk rock uns 20 anos após o movimento jovem.
Queríamos emular a rebeldia dos operários britânicos nos anos 90, embalados numa música caótica, no ritmo de uma dança autodestrutiva. Não vivíamos numa soturna cidade inglesa como Manchester e não éramos súditos da rainha. É lógico, toda essa fraude nunca poderia dar certo. Mesmo assim, nós cinco fomos brincar de rebelde sem causa.
O Estádio do Ibirapuera ainda lembrava o Parque da Mônica, devido o clima de convescote. Mas era muito cedo, e o show do Sex Pistols atraía uma geração que foi jovem nos anos 70. Superado o choque de gerações e o impacto do movimento punk estar anacrônico, fomos andar pelo estádio.
A fileira de banheiros químicos sugeria uma gincana na qual torcíamos para não abrir a porta de um “box” com estado de onde foi cenário de um exorcismo escatológico. Cerveja quente e cachorro-quente miserável e caros já eram esperados. Passada a frustrante circulação, começamos a ver os shows secundários.
Como em todos os festivais, naquele circo chamado ‘Close-up Planet’ as bandas de abertura foram melhores que a “headliner”. Além disso, mangueira d’água do palco e a dança à base de socos e chutes eram praxe em megaproduções.
O título da apresentação do ‘Sex Pistols’ sugeria a rebeldia juvenil dos punks: “Filthy Lucre”. Entretanto, na prática, foi o “baile da saudade”, tamanha a quantidade de saudosos dos 70s. O show foi fraco. Como prometido, o lucro foi sujo, já que “nossos dinheiros” não obtiveram uma troca justa. De certo, John Lydon, Glen Matlock, Paul Cook e Steve Jones vislumbraram a oportunidade de pagar algumas contas e gastar no supermercado. Essa seria a nova realidade de quem confrontava a Rainha-mãe.
Sei que participei de um fingimento de insatisfação com o “status quo”. Nós todos e, incrivelmente, a banda éramos uma multidão de “punks de butique” saudosos de uma música e um comportamento que não tinham a ver com aquele conjunto de “tiozinhos” se esforçando para “balançar a massa e sacudir a pança”.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Baby don't leave me
Baby don't leave Me for somebody else Because I want you to be mine For the rest of my life I want you to be happy with me Because I coul…
Aldo gabbay kraas
Brinco-de-Princesa em flor
Brinco-de-Princesa em flor
em plena Mata Atlântica
no inverno de Santa Catarina,
De noite é varandinha
para o gentil vaga-l…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Espirito de Leveza .
Basta ter no coração, uma imensa flor desenhada da mais pura das mãos , que as saudades nunca o fará sofrer de solidão. Basta ter um espi…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA
Vale mais tarde o passo que desperta, Que cedo andar sem rumo ou direção, Quem busca a luz, ainda que na incerta, Descobre enfim o fruto …
Maria Antonieta Matos