Às divindades, oxalá! 

Divindades! 
Livrai-me de tudo que não sei lidar
Falo até mesmo do toque insistente da campainha
Quero me encontrar com o outro sem sobressaltos
Sem malquerências
Livrai-me de um outro que se torna familiar
mas quer obrigar-me a sair de mim
Livrai-me dos bons homens e das boas damas que desconhecem a empatia, mas potencializam a simpatia enganadora
Estranhas senhoras, estranhas em si e em mim
Estranhos senhores que nem desconfiam das dores de suas damas
Diz Sartre, são bons pais e mães, filantropos, mas racistas!
Livrai-nos  senhor de professores desamparados e desenganados de si
suas palavras podem contaminar a mente fértil dos jovens
Livrai-nos dos pastores que não sabem pastorear, coisa que exige conhecer a Aldeia, seu rebanho e sua história.
Divindades! Teceis laços diretos com os que creem 
Se há vontade divina para que a mediação?
Enlaça-me com a tua energia e proteção 
Me põe luz na minha escuridão
Me acolhe nos desertos
e na abundância mistificadora
Me acolhe! 

Fátima Rodrigues 

Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 20 de maio de 2023.
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