Todo dia eu levanto
E já quero me deitar,
Não me animo para nada,
Nem desejo me animar.

Todo dia levo uma lambada,
Mas não a de dançar,
Apesar de viver dançando,
Danço para me ferrar.

Saio da cama sem vontade,
Tiro o pijama devagar,
Tomo café bem amargo,
Para acordar.

Pego ônibus lotado,
Sem lugar para sentar,
Chego todo amarrotado
Para poder trabalhar.

E quando, finalmente, começo a render,
Vem o chefe e me chama no escritório,
Vou com cara de velório
Pois eu sei que vai feder.

E recebo a notícia
De que fui mandado embora,
Lá por dentro digo: "delícia",
Mas minha cara empalidece por fora.

Cheio de boletos para pagar,
A prestação da casa própria.
Seu presidente falou que ia melhorar,
Mas para mim só piora...
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