🔵 Segunda série fora de série
Não sei o porquê, talvez a abertura de vaga ou o bom humor da secretária da escola, mas eu estava voltando para a escola do meu bairro. Já não convencia o drama típico do primeiro dia de aula; era um dia qualquer na segunda série. Então, sabia onde eu estava me metendo, só não sabia que ficaria ali por oito anos.
Minha mãe me “entregou” à professora (tia) japonesa. Ela me apresentou à sala, e todos responderam bovinamente: “Oi, Rafael”. Mesmo sem saber o que era uma reunião dos Alcoólicos Anônimos, aquilo foi estranho. A turminha parecia hipnotizada como o elenco do filme Colheita Maldita. De qualquer maneira, me dirigi ao assento indicado.
Não sei se faltou alguém, mas, sem saber, mais do que apenas um lugar vago eu estava me associando a uma gangue infantil (do bem) que seguiria unida até eu ficar retido na sexta série. Esse simples gesto, esse plano do destino podia definir se eu participaria do “Clube de Astronomia” ou da equipe de futebol. Os sortilégios da professora, digo, tia oriental me colocaram na turma do futebol nessa encruzilhada.
Apesar da amizade instantânea, sempre houve um distanciamento nas disputas esportivas, bem como na concorrência pela “garota da frente”. As competições eram inerentes ao crescimento, portanto justas. Contudo, os trabalhos, as colas, os estudos e os intervalos (recreios) anistiariam nossas diferenças.
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Sexta série, chegou a hora de conferir a lista dos aprovados e reprovados. Eu já sabia que pertencia ao segundo grupo. O medo, apesar de injustificável, me “obrigou” a “representar” um ser pego de surpresa. Só não cometi o “harakiri” porque eu não era japonês. Portanto, num país semi-alfabetizado, não haveria cobrança social. Conforme planejei, simulei espanto com o resultado negativo. Meu pai, claro, fingiu que acreditou na minha péssima interpretação.
Novamente, o destino, dessa vez com a ajuda das minhas notas, selou meu novo caminho, bem como a separação da antiga turma. Sem saber, novamente, isso seria bom.
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