Dama da noite
Rompe o silêncio cada passada
Pisada firme, delicada, graciosa
Num gracioso passo a frente d'outro
Sob seu salto fino escarlate
Levam meus olhos a passearem
Lendo os envoltos e detalhes da escultura
Emoldurada nas curvas do vestido
Que fixam meus olhos ofegantes
Caminhando palmo a palmo admirado
Admirando seu vestido preto desenhando
A formosura de duas pernas e estuprado
Sem ar no rasgo em sua coxa impinotizantes
Meu coração acelerando a passear
Viajando a estação de seus quadris esculpidos
Detalhando a beleza de sua silhueta ...
Um gole seco da boca seca sedenta
Acompanhando a navegação à cintura
Envolta numa delicada cinta dourada
Destacando- se na negritude do vestido
Que impulsiona os olhos à escalada
Acelerando os batimentos em ansiedade
Chegando a segunda cava de seu vestido
À cima da cintura abre a cava rumo aos bustos
Envolvendo -os, salientando -os, saltando aos olhos
Valorizando aquela escultura à mão
Os olhos instigados a prosseguirem
Subindo ao pescoço graciosamente tentador
Ao fundo as mexas de seus cabelos ondulados
E, em fim, aquele rosto em perfeita simetria
Seus olhos clamando junto aos seus lábios:
Beije-me como se houvesse apenas esse momento
Beije-me porque só há esses minutos nessa pintura
Acalme, acelere, transborde meu coração
Sou a dama de sua noite.
Sele a noite com a paixão de nossas palpitações...
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