O cravo, a rosa e a deusa Flora

Nossa amada Deusa Flora
Permita -me falar agora
Pois preciso explicar
A razão de eu aqui estar
E pergunto aqui à rosa
Em sua presença, Deusa Flora
Por que brigamos , amor ?
Brigamos , flor do craveiro
Por causa dos teus ciúmes
De teus intermináveis queixumes
O que ? Queres exemplos ?
Tu não admites que
Meu amigo Jasmim
Possa sequer olhar para mim
Sem que te ponhas a vociferar
Te espelhe no exemplo da margarida
E do seu namorado, o lírio
Um casal que é um colírio 
Para quem os observar
As vezes discutem
Mas logo fazem as pazes
E vivem num clima de amor
Como condiz a uma flor
E em paz procuram viver
Rosa, rosa,minha querida
Cura esta minha ferida
Sê um pouco mais comedida
Em tua beleza mostrar
Tolera os meus queixumes
Pois eu morro por ti de ciúmes
E ciúmes de ti, como não ter ?
Basta, só eu falo agora !
Intervém a Deusa Flora
Se propondo sem demora
Esta questão resolver
Cravo ! Livra-te agora
Deste atroz algoz que te aprisionou !
Rosa ! Esquece este ar de grandeza !
Para que sejais lembrados
Na história como exemplo
Não de casal que peleja
E sim como símbolos
De amor e grandeza
Como dádivas da natureza
Que Deus, nosso Senhor, nos legou 


Do livro Poemas de Paulo Guedes
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