A dança continua

A dança continua,
A poesia não morre,
“Nem que a matem”,
Contudo pode ser f’rida
De morte durante o sono,
Com uma bala de prata,
Ou uma vulgar estaca
No lugar do coração,
Tal como faca de abate,
Sem gume, mal afiada.
Desfigurada no rosto,
Sob a máscara da morte,
Não deixará de sair dela
Meu paliativo, minha culpa
De ferimentos, graves
Golpes e da vulgar cura
“Do costume”, não punitiva
Mas bonita na forma prenha
De copo, taça ou de cálice,
Gamo negro, gazela fêmea, fonte
De bruma, poesia não morre,
Não se abate, nem se encosta
À parede, não se consome,
Com os músculos da face, nos
Gestos do rosto redor dos ossos
Considerados breves, brancos
Como ermitas em mármore e aço.
Poesia não morre, “nem que
A matem”.
Jorge Santos ( Fevereiro 2023)
https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com
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