🔵 Serviço obrigatório
Não bastasse o serviço militar obrigatório, eu teria que pagar pelo corte de cabelo. Muitos soldados que entraram no salão do quartel saíram sem a antiga personalidade. Aliás, igual a uma penitenciária, essa é uma das primeiras táticas de enquadramento e colocação na nova realidade. Um método de institucionalização.
Não era justo assistir aos cabelos, caspa, piolhos e seborreia dando adeus, acompanhados de minhas raras e amassadas notas. Além disso, eram varridos para o lixo, juventude, sonhos, rock and roll, viagens, lembranças etc.
Entretanto, ali não havia espaço para sentimentalismo bobo nem apego com uma adolescência irresponsável, sem contas para pagar e saudades do cabelo comprido; eram tempos de mosquetão, projéteis e farda. Ah, e de 15 em 15 dias rapelar a cabeça. Lógico, mesmo que o serviço fosse mal feito, era preciso pagar por isso.
No centro da cidade, ponto de ônibus, chamou a nossa atenção o movimento naquele imóvel comercial. Curioso foi que as pessoas entravam com cabelo e saíam com as madeixas curtas, muito curtas ou raspadas. Parecia óbvio, tudo o que precisávamos era de um ambiente adequado para executar o que seria obrigatório. Mas não no espacinho caro e insalubre do quartel.
Foi com desconfiança e certa timidez que fomos apresentados à escola de cabeleireiros. No começo, foi uma mistura de sensações: o constrangimento por ser um ambiente aparentemente feminino, mas com a recepção de uma bem vinda exceção.
A novidade se tornou a alternativa e a sensação dos militares. O novo endereço era a local obrigatório para honrar o dever nacional. Nossa fiel frequência tornou a ida ao lugar um evento esperado com alguma ansiedade, ou seja, o crescimento da pelagem era praticamente uma contagem regressiva visível para servir de modelo para as alunas. Era realmente empolgante o frisson que aquele “batalhão” causava na escola de cabeleireiros, bem como o cenário da fileira de soldados esperando o início da aula.
Tudo começou com o temor da submissão como cobaias, mas terminou com a economia de dinheiro e a formatura de soldados, cabos e cabeleireiras.
Não era justo assistir aos cabelos, caspa, piolhos e seborreia dando adeus, acompanhados de minhas raras e amassadas notas. Além disso, eram varridos para o lixo, juventude, sonhos, rock and roll, viagens, lembranças etc.
Entretanto, ali não havia espaço para sentimentalismo bobo nem apego com uma adolescência irresponsável, sem contas para pagar e saudades do cabelo comprido; eram tempos de mosquetão, projéteis e farda. Ah, e de 15 em 15 dias rapelar a cabeça. Lógico, mesmo que o serviço fosse mal feito, era preciso pagar por isso.
No centro da cidade, ponto de ônibus, chamou a nossa atenção o movimento naquele imóvel comercial. Curioso foi que as pessoas entravam com cabelo e saíam com as madeixas curtas, muito curtas ou raspadas. Parecia óbvio, tudo o que precisávamos era de um ambiente adequado para executar o que seria obrigatório. Mas não no espacinho caro e insalubre do quartel.
Foi com desconfiança e certa timidez que fomos apresentados à escola de cabeleireiros. No começo, foi uma mistura de sensações: o constrangimento por ser um ambiente aparentemente feminino, mas com a recepção de uma bem vinda exceção.
A novidade se tornou a alternativa e a sensação dos militares. O novo endereço era a local obrigatório para honrar o dever nacional. Nossa fiel frequência tornou a ida ao lugar um evento esperado com alguma ansiedade, ou seja, o crescimento da pelagem era praticamente uma contagem regressiva visível para servir de modelo para as alunas. Era realmente empolgante o frisson que aquele “batalhão” causava na escola de cabeleireiros, bem como o cenário da fileira de soldados esperando o início da aula.
Tudo começou com o temor da submissão como cobaias, mas terminou com a economia de dinheiro e a formatura de soldados, cabos e cabeleireiras.
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