GUARDIÕES DO TEMPO

Tu és oguardião do tempo, cobres ao meu lado esses gritos

De estandarteao vento, lanças a ponte entre nós e a tormenta

No teu relógiosem horas profanas a mágica alquimia dos ritos

Soam como umlamento expirado, ronronando na tarde pardacenta.

 

A minha naveestática intranquila

Vagueia nomar do inverno ao desabrigo

Em águasrevoltas permanece ao perigo do inimigo

Numcrepúsculo sem luz assalta o entardecer

A noite seesmaga na terra, chegando aos meus ouvidos

Aquele ecofrio e tenaz que massacra os sentidos

Num redopioalguém sem saber

Na sua sortebeijou a hora da morte.

 

A eterna mente,ainda encerra o eco frio e o sabor da terra

Que se cruzanesta vida descontente, esvaída por uma quimera

E o seupranto cioso do silêncio em lagrimas de chuva se esvanece

Por entremuros de olhares submersos

Florindoarbustos de bagas rubras e violetas

Um prado deodor intenso ser e matéria, razão e senso

Astrolábiode estrelas incandescentes na noite de Primavera

Guardam osilêncio do tempo onde os dias se afastam dispersos.

 

Somos filhosdo tempo, guardiões do silêncio

Do teu, domeu, de muitos a quem nada importa

Coabitamoscom as dores, que volteiam o véu da inercia

Trespassandode forma calada profunda e lenta

E os teusmedos acorrentados nos elos de cor cinzenta

São anéis danossa ponte tecida em corda 


João Murty

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