EU SOU O AMOR
Eu sou o amor,
Sim, em carne e ossos,
Vez ou outra sou flor,
A depender dos meus esforços.
Sou o princípio e o fim,
O meio e os pedaços.
Sou todo inteiro,
Posso ser fraco.
Sou o rio que corre manso,
Sou a enxurrada devastadora,
Sou a estrela lá do céu,
Sou a pedra aqui na Terra.
Choro sem querer,
Depois eu sou mau,
Melhor nem mexer,
Pode ser o seu final.
Sou o jardim mais florido,
Minhas hastes têm espinhos.
Nem sempre sou querido,
Posso ser amargo e geladinho.
Sou o amor! Sincero?
Nem sempre,
Depende do que quero,
Posso ser uma serpente.
Faço corações quebrarem,
Também os reconstruo.
Sorrateiro, te pego desprevenido,
Jogo-te contra o muro.
Sou água doce e fresca,
Também sou o sol que te queima,
Sou a areia do deserto, onde se perdes,
E a onda do mar revolto, que te afoga.
Sou o bem e o mal,
O claro e o escuro,
Sou o fel e o doce,
Sou bem original.