No trânsito da memória

Não faço propósito
Sou livre!
Ando de cabeça erguida
a captar cheiros e paisagens
Costumo dirigir aos que sofrem ora a minha compaixão, ora a minha admiração
pois descobri que a dor percebida pode ser vencida
Oro!
não é oração que se repita
são sons  que se acumulam e se deslocam 
a socorrer-me em palavras  
Os sentidos desses sons me libertam
Não faço propósito
Se fizesse teria contratempos
O ônibus que não passa
O amigo que não chega
O corpo que espera o abraço
O intelecto que vagueia
O compromisso que me espera
Quero aprender a amanhecer 
a entardecer e a viver
Quero entender a transitoriedade
Acatá-la como a metafísica maior
Porque a vida não é eterna 
e é preciso degustá-la
Reinventar o tempo livre é meta
Pois,  ao final, o que nos resta são os feitos que nos aprazem
E, para além do vivido, vale acolher
a matéria viva
no trânsito da memória.

Fátima Rodrigues expedicionarios, 
João Pessoa, Paraiba, Brasil em 24 de julho de 2024














 

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