logo serei o que existo
talvez não seja
mais que isto
menos aquilo
produto inteiro
real racional
gramática verbo
verborreico sangue
ponto luz corrente
arde-me o crânio
numa estrada luz
exactidão isóscele
coração para o pão
pele pedra sal e sol
ardem distâncias
o velho e a vela
o povo e o polvo
o braço e o baço
ver é beijar no Porto
mãos cruas que vêem
ensimesmada nudez
pobre infinda miséria
o céu aberto em ferida
sombra terror tremor
logo serei o que existo.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "logo serei o que existo")
Comentários (3)
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Natália
2024-08-09
Profundo
Joao Pedro
2024-08-08
Muitos parabéns Pedro. Adorava saber escrever assim.
Rosália Oliveira
2024-08-08
Muito bom parabéns amigo ????
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