Refúgio
Envelhecem-me os pulsos
todas as noites…
por desespero
seguro a vida que apodrece
nas horas rezadas
a um qualquer Deus
que vai revelando não ser o meu.
Na branda cadência das palavras adormeço
debruçado no muro da memória;
Estilhaços de sangue vão povoando
fantasmagóricos
o grito estrangulado que comigo trago.
Só o calor do teu corpo… terra arada;
E refúgio final das minhas tempestades.
António P. Pereira
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