Queremos, apenas, ser mulheres
Há pranto
há flores murchas
esmagadas
pelos opressores
num mundo
cruel para Mulheres.
Calcinhas acorrentadas
ao pescoço
furtam-nos a essência
se resistimos
estoiram-nos o útero
e lançam-nos na sarjeta do mundo.
Nas montras das ruas
jazem flores
nuas
esmagadas
murchas e ensanguentadas
descorooadas.
Era uma vez...
Mulheres
que apenas
queriam ser Mulheres
num mundo cruel
para mulheres.
in Blasfêmeas Sangue e Poesia (2024)
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