que farei?
Que farei
quando tudo arde
e os restolhos gemem
e são lama densa
chão que me não és?
que farei das rosas
das ínfimas flores desta floresta
dos regaços
dos verbos
e desta trança
que, dia a dia,
me cobre resguardando
a carne púrpura da minha nudez
que farei de mim
que responderei de mim
aos olhos inquisitivos dos abetos
e dos ovos que descubro nossos
a pulsar de vida e canto
no coração dos pântanos?
que farei
da minha túnica de musselina branca
e do meu sonho de esvoaçar vagarosa e branda
ao som da banda sonora
de nossas ancas?
que farei a esta insistente palpitação
febril da terra
das bacias de águas férteis
das seivas coralinas do meu espanto?
que farei se
a minha entrega não te basta
e não te traz?
e me és vaga, verbo, canto, no mar de meu olhar?
e se
do amor não sei mais que o silêncio
a estrangular-me a aorta,
a atarracar-me abdominal, as costas,
e destas, vértebras de sílex, espadas de fogo, espinhos,
artefactos de pedra e osso,
a infligir-me verdades cruas de sal?
quando tudo arde
e os restolhos gemem
e são lama densa
chão que me não és?
que farei das rosas
das ínfimas flores desta floresta
dos regaços
dos verbos
e desta trança
que, dia a dia,
me cobre resguardando
a carne púrpura da minha nudez
que farei de mim
que responderei de mim
aos olhos inquisitivos dos abetos
e dos ovos que descubro nossos
a pulsar de vida e canto
no coração dos pântanos?
que farei
da minha túnica de musselina branca
e do meu sonho de esvoaçar vagarosa e branda
ao som da banda sonora
de nossas ancas?
que farei a esta insistente palpitação
febril da terra
das bacias de águas férteis
das seivas coralinas do meu espanto?
que farei se
a minha entrega não te basta
e não te traz?
e me és vaga, verbo, canto, no mar de meu olhar?
e se
do amor não sei mais que o silêncio
a estrangular-me a aorta,
a atarracar-me abdominal, as costas,
e destas, vértebras de sílex, espadas de fogo, espinhos,
artefactos de pedra e osso,
a infligir-me verdades cruas de sal?
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