Fragmentos
Dorme, que a vida é fracionada em dias e noites
como o sol que nasce e morre a cada dia.
Vive intensamente tuas dezenas, centenas
ou milhares de dias e dorme, dorme serenamente
para talvez despertar para um novo dia, uma nova vida,
vida dividida em vidas,
como quando abrem-se as cortinas e,
primeiro ato, cena um, a vida entra em ação!
E, segundo ato, segunda cena,
vários atos e várias cenas
e o pano desce.
Noite.
No seguinte dia, se se vive, reinicia-se
involuntariamente a mesma peça
em vários atos,
em várias cenas
com talvez o mesmo e mais outro e outro elenco.
Em cena encena naturalmente
que a vida é fracionada em tomos,
dorme, vive, vive e dorme serenamente,
que na medula da vida tudo surge de repente,
sem preparo, sem rubricas.
Tanta coisa
nascemorrenascemorrenascemorrenasce...
todos os dias, todas as noites.
Isto, enquanto há olhos, vê-se.
E se não se acorda, sabe-se?
Atores de palcos antigos, de peças passadas,
de lidos tomos, de atos findos
ainda não me disseram.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Coruja Doce ê..
Julian Lael
Porque inteligência é tão braba, Não há como fugir dela pinguim; E age na surdina, logo acaba, Com o intelecto do mai…
Julian Lael
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*