I. De pulvere
Vê-me, Pai Amado,
entras nas frestas onde me escondo de mim.
Levas as angústias que calado conservo,
as lágrimas que esqueci, as saudades que lamento.
Nada sou, nem desejo engrandecer-me de formas,
porém busco escapar-me do traidor que me visto,
das insignificâncias que grandeza uma tenho dado,
das razões desertas que em vão protestei.
Vê-me, Pai Amado,
não sou mais que poeira que o vento conduz.
Não peço alívio – mas pertença,
não trago méritos – mas arrependimentos.
Pai Amado, vê-me.
Vê-me, Pai Amado.
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2025-04-20
Belo ....transpira franqueza.
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