Ave
Ontem, vi um pássaro no estertor damorte.
As asas não içavam o frágil corpo.
Das pernas - finos gravetos - esvaía afirmeza.
Peguei-o e não o senti: já não havia
movimentos, apenas imperceptíveis tentativas internas.
E eu, que sempre, tantas vezes,
desejei alçar voo como as aves
e desfrutar da liberdade da altura,
senti-me inútil...
Aquele pequenino ser, naquele momento
quisera sê-lo para transpor
as barreiras da liberdade.
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