CÉU EM RUÍNA, TERRA EM FÚRIA
Está caindo o céu e a Trindade,
Na terra de ódio e guerra sem piedade.
As nuvens sangram chagas de aço,
Anjos se perdem no último abraço.
O Pai cerra os olhos, cansado do clamor,
O Filho chora, crucificado em nova dor.
O Espírito vagueia, em vento calado,
Sobre campos de mortos na fé, despedaçado.
Ergue-se o homem com o punho fechado,
Sua língua é espada, seu verbo, pecado.
De templos ruídos brotam espinhos,
Orações secas, sem mais caminhos.
Na terra que exala rancor e fumaça,
A esperança tropeça, quase se esgaça.
Mas no silêncio entre um grito e um pranto,
Ainda brilha uma tocha, ténue, mas tanto.
Porque mesmo quando o céu desaba,
E a Trindade se esconde na névoa brava,
Há no coração do último justo,
Um lume frágil, porém robusto.
Que clama ao alto: “Ainda não acabou!”
E talvez, só talvez… Deus escutou.
Maria Antonieta Matos, 19-06-2025