Incompletudes
já tenho em minha carne
o rangido franco,
frio
e solitário
das horas
indivisíveis.
não mais
me demoro os dedos
sobre o fio da faca
na tangência
de um tempo
que não tenho,
pois que me adormece a luz
nas mãos espalmadas,
privadas de palavras
em um silêncio imortal
que se imprime absoluto.
abasteço,
recorrentemente,
a incompletude desta loucura
com teus olhos fugidios,
insistentemente sádicos
: olhos de amassar maçãs
e envenenar riachos lacrimosos.
e é quando as auroras
se transfiguram
em dias cinzentos
que me doo à chuva.
neste então me voltas,
sob a rama deste ipê,
tal um espectro
entre pétalas violáceas
a me contar
que inda existo.
(Celso Mendes)
o rangido franco,
frio
e solitário
das horas
indivisíveis.
não mais
me demoro os dedos
sobre o fio da faca
na tangência
de um tempo
que não tenho,
pois que me adormece a luz
nas mãos espalmadas,
privadas de palavras
em um silêncio imortal
que se imprime absoluto.
abasteço,
recorrentemente,
a incompletude desta loucura
com teus olhos fugidios,
insistentemente sádicos
: olhos de amassar maçãs
e envenenar riachos lacrimosos.
e é quando as auroras
se transfiguram
em dias cinzentos
que me doo à chuva.
neste então me voltas,
sob a rama deste ipê,
tal um espectro
entre pétalas violáceas
a me contar
que inda existo.
(Celso Mendes)
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