HÁ UM VAZIO QUE ME CHAMA
Há um vazio que me chama
nas dobras do fim da tarde,
Como brasa que não inflama,
Como flor que já não arde.
Os dias passam sem rosto,
Tão iguais, tão sem medida,
Carrego o tempo no bolso
como quem esquece a vida.
As palavras me escaparam,
Como pássaros de medo,
e os sonhos que ficaram
adormecem sem enredo.
Fico à margem de mim mesmo,
Como espelho em nevoeiro,
Procurando algum alento
num céu sempre derradeiro.
Mas ainda resta um fio,
Uma trémula esperança,
Que resiste, mesmo fria,
Como o fim de uma criança.
Évora, 25-07-2025 - Maria Antonieta Matos