Fatalidades
Fatalidade em que se tornou o meu destino,
Desavindo na plenitude da alma austera,
Vã procura de amor e carinho no divino,
Esquecidos na fundura duma cratera.
Fatalidade das águas do rio a correrem,
Pacientes a correr na sua previsibilidade,
Tão belas as águas cristalinas não saberem,
A desesperança da minha inútil saudade.
Fatalidade da beleza que emanas sem querer,
Aprofundadamente subtil de tons alternados,
Enfeitiçaste as nuvens do céu sem antever,
E elas abençoaram os desertos afortunados.
Fatalidade do longo caminho a percorrer,
Aos tropeções inebriado na cúpula do sentir,
Solitário na amargura do meu derradeiro ser,
Prescrito ao sabor da inocência ao me extinguir.
Lisboa, 30-9-2013
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