SOU MUNDO NUMA JANELA ABERTA

Sou mundo numa janela aberta,
respirando mares que nunca vi,
onde o vento me toca e desperta,
os sonhos guardados dentro de mim.

Sou estrada de passos invisíveis,
sou ponte lançada sobre o ar,
um mapa de rotas impossíveis
que só o coração sabe traçar.

Sou voz de manhã e de horizonte,
sou luz que dança na cortina,
sou montanha, sou rio, sou fonte,
sou a viagem que nunca termina.

E mesmo que o corpo permaneça,
o olhar atravessa o mar e a serra —
sou mundo numa janela que começa
a caber inteira dentro da terra.

Maria Antonieta Matos

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