Na minha terra também se chora
Na minha terra há sol e imenso calor
onde a gente mais pobre
solta lágrimas de tristeza e dor
minha terra era colorida, agora nem brilha
fogos inundam nossos bosques assassinados
deixam neles pesadas trilhas
em cada serra ou vale queimado
pelos caminhos queimados, delorosos pesadelos
tantos são os bombeiros que não voltam mais
são engulidos por labaredas de flagelo
num país assim terá futuro nunca mais
Aqui no meu país também se chora
se chora por tudo aquilo que demora
escolas ficam longe, tudo é desertificação
restam simplesmente velhinhos de mãos no coração
governantes, esses ipocritas sorriem
e nós por aqui, sós abandonados na desilusão
dizem eles, que somos pequenos não podemos opinar
chegou a hora de iniciarmos a gritar
queremos paz pras nossas gentes de Portugal
e não abraços de gente que usa a mentira global
Aqui morreu a minha ilusão de ver meu país
sem fogos neste requente Verão
não morri com balas soltas de artilharia
morri sim com fogos e chamas de covardia
Até o céu está cheio de balas e de esperança
esperança como o sorriso de uma criança
aqui no meu país se chora sim e se canta também
antes se cantava canções de amor
hoje escrevemos letras de tristeza e dor
desculpem, mas não quero presidentes com descursos bonitos
quero presidentes que ajudem os mais pobres, os aflitos
quero gente que governe com lealdade
e que saiba dar um abraço, um abraço de verdade...
Luzerna 18.08.2025, Joao Neves...