Gostava que não existisse espelhos
Quando as pessoas me olhassem com desdenho
Não saberia que era pelo meu rosto velho
Mesmo que tenha tentado ficar bonita com empenho

Pensaria que o problema não era meu
E que provavelmente era uma pessoa malvada
Que a sua cara já era assim quando nasceu
Iludindo-me que a minha não era errada

Viveria na ignorância
De ser a ovelha negra do imposto padrão
Como na minha infância
Quando brincar era a minha única preocupação

Como os espelhos existem
Sei do meu pequeno valor
E das pequenas inseguranças que insistem
Em ser o ápice da minha dor

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