Infinito
Comprazemo-nos
trajando adolescências,
abafando o som dos risos,
quando nos espreitamos à socapa,
pela cortina que afastamos
na janela dos nossos dedos.
Deleitosa esta espécie de olhar de garotos,
nesta ciranda em que dançamos,
visualizando-nos tão bem,
que nos tocamos.
Fundamental saber o que amamos tanto
com as mãos do imaginário,
com os olhos rasos de mil pedaços,
nesta imagem de estarmos juntos.
Relevante que nos emocionemos
ao experimentar com análoga intensidade
desenlear do tempo comum,
o tempo só nosso.
Singular a carência de cruzarmos silêncios,
de não nos deixarmos concluir,
numa interrupção atabalhoada
própria do desejo de nos mantermos conspirados.
Temos ainda tanto para trocar entre nós.
Temos um mundo próprio,
esta paisagem pré concebida,
grafitada num muro de uma avenida qualquer,
só pelo prazer de nos vermos
quando por ela nos circulamos.
Importa o resto?
Claro que não!
Importa que continuemos a compartir silêncios ilimitados.
Enquanto continuarmos nesta permuta
Importam-nos sim,
as frases,
imagens nossas que prendemos na lapela,
condecorações deste bem-estar que cogitámos:
Falta um infinito imenso!
Falta o inimaginável para que nos dissipemos!
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Maculável Mulher.
Por onde tu andares , lá estarei junto ... pois sempre que precisares de minha presença - com minhas mãos estendidas te recuperarei. Se…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Haicais sentido
Haicais sentido
Jorge E. Leal
Finjo no verão,
Não ver outras estações,
E curto as nuances. …
Julian Lael
Conluios
conluios maquetas inventários nada a limpo em momento algum ó, ninguém soube dizer como o velho barco ficara na praia por décadas, e de …
Darlan de Matos Cunha