A TRISTEZA ME INVADE
A tristeza me invade, e em ondas frias,
Espraia-se em meu peito, em noite escura;
São tantas dores, tantas nostalgias,
Que o mundo inteiro em pranto se figura.
Vejo os destinos presos às agonias,
E a luz do sol se esconde, pouco dura;
O tempo escoa em lôbregas porfias,
Sem dar alívio à dor que se segura.
Mas dentro da penumbra há resistência,
Um sopro brando insiste em me elevar,
E rompe o véu cruel da decadência.
Pois mesmo no luto se a alma ousar
É prova de esperança e de presença:
Quem sente a dor, ainda pode amar.
Maria Antonieta Matos