INTIMIDAÇÃO
Um olhar que pesa sem tocar,
um silêncio que corta como lâmina.
A palavra não dita,
mas já gravada no corpo,
um aviso disfarçado em sombra.
A presença invade o espaço,
sem mover paredes,
sem erguer muros
mas constrói um cárcere invisível
onde o ar se torna espesso.
A intimidação não grita,
ela sussurra em nós:
“Não ultrapasses, não resistas, não te ergas.”
É o peso do medo mascarado,
um gesto pequeno que ecoa enorme.
Mas também é frágil,
porque basta um passo firme,
um olhar que não baixa,
uma voz que se ergue
e a muralha desmorona.
Maria Antonieta Matos