SE A DOR SE MOSTRA EM NÉVOAS

Se a dor se mostra em névoas tão pesadas,

Também desponta o lume da esperança;

As sombras passam, breves, mal lembradas,

E o coração na luz de novo avança.

Nas lágrimas florescem madrugadas,

E o pranto rega o sonho que se lança;

Do chão ferido nascem alvoradas,

E a vida insiste, eterna, na sua dança.

Assim, da dor se ergue a claridade,

Um canto brando rompe a escuridão,

Chamando à vida a força da verdade.

Pois quem resiste, e guarda a compaixão,

Descobre em si o brilho da bondade:

Um sol que mora oculto no coração.

Maria Antonieta Matos

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