POEMA INDEFINIDO
Da onírica neblina desponta a fria manhã.
Vário é o dia; ainda assim, pipiras no céu
tecem, nos meus olhos, ninhos de melancolia.
A tarde me exaspera como um rio de fogo imenso,
correndo com sua fúria pelos quatro cantos da terra,
para depois morrer seco no incontornável vazio de mim.
Quando a noite, por fim, vem,
tua negra ausência revela-se sobreposta
à pálida luz da vazia sala de estar.
De repente,
transparecem, neste tenro e triste espaço,
certas formas elusivas, prescindidas lentamente,
do rígido silêncio dos inanimados objetos
e da etérea poeira de que se compõem as estrelas.
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