A MÃO ESTENDIDA
Meus braços já perderam as forças
Meus pulmões inalam ar poluído
Minha senda tornou-se-me em forcas
Meus olhos cansados, semblante caído.
Meu querer sempre foi ignorado
Minha paz por cruéis foi roubada
Fazendo o meu lar alvoroçado
Minha amada de mim foi tirada.
Aqui ninguém que me queira ou console
Quem devolva minhas conquistas
Só sinto abandono em cada gole
Do fundo do poço que me faz visitas.
Às vezes vejo uma mão estendida
Já tentei segurá-la e me firmar nela
Mas meu coração bate em recaída
E minha fraqueza vil sentinela.
Já desprezei a solidão e a morte
Que me confortem poucas lembranças
Nesta escuridão tenho tido sorte
Pois ainda vivo sob más ordenanças.
Quem me dera as suas mãos
Quem me dera águas passadas
Quando me esperavam corpos vãos
E eu entrava a ti nas noites douradas.
Quem me dera mais uma única canção
Sob doces olhares com nostalgia
Quando sentia sua aveludada mão
Nos desfechos sussurros de alegria.
Ah meu querer, sempre desprezado
Eu não posso morrer sem redenção
Nem seguir tragando cálice batizado
Para que eu possa alcançar minha bênção.
Erimar Lopes.