"As cinzas que restam de mim"
Sopro as velas do aniversário só
apago cigarros, desfaço cinzas,
que ainda aquecem minha sala vazia,
limpo pegadas, que deixaste dispersas pela casa,
e deixo que ardam as entranhas,
pouco a pouco,
cá no fundo da alma, fico sangrando,
como um animal ferido, sem dono,
sem lugar onde ficar,
sinto-me a morrendo devagar,
este meu pobre coração quer sangrar a alma de vez,
dói tanto, tanto, uma dor sem limites,
e eu fico aqui a gritar pela Senhora dos Aflitos...
Luzerna, 15,12,2025, Joao Neves
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