UMA LUTA INGRATA
Mas que luta ingrata
A que tenho que lutar,
Um amor que me mata
Bem devagar.
Eu não posso declarar,
Sentimento tão belo,
Então fico a definhar,
Num choro surdo e sincero.
Apenas vivo, acordo, como,
Depois deito novamente,
Sou uma sombra,
Que some de repente.
Dói uma dor desmesurada,
Sinto que é o meu fim,
A vida, despudorada,
Se delicia me vendo assim.
Luto com alguma força,
Que busco no vazio,
Por mais que o tempo me torça,
Nesse amor louco eu confio.
Cavo minha cova lentamente,
Não tenho pressa nenhuma,
Um dia, minha gente,
Ela será uma banheira de espuma.
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