Terra em rendição

Com a tua silente ternura
sua existência tem altura 
muito maior que a de Wakhan,
montanha que desafia 
o céu, o vento e as estações.

Reluz um Pulwar de ouro puro
nas tuas mãos que para mim
hão de ser absolutas em tudo,
Uma lâmina curva que não fere, 
ilumina a escuridão adentro,
A sua mirada, cravou perene 
no peito a Charay poética,
não como o aço frio e mortífero, 
mas com verso afiado e doce.

Fez arder um fogo sem explicação, 
sem dor, sem ferida, sem ardor 
que nem médico ou clérigo 
são capazes de fato dissolver;
Foi além do que eu ousava prever,
conquistou meu território
sem arsenal e com potência serena.

Não por beleza que ofusca, 
nem por força bruta, 
nem por poder que impõe
 — mas por conhecer de cor
os "Noventa e Nove nomes de Allah", 
um a um, como quem sussurra 
segredos de Paraíso que foi 
perdido revelando em meu ouvido.

Cada nome era uma flecha invisível,
cada sílaba um golpe indelével 
e de graça no coração feminino.
E agora sou terra em rendição, 
campos de trigo em floração,
onde esse ardor divino 
permanece sem explicação.

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