OUSADIA

No meu intimo, uma desnecessidade se aguça.

Creio descomplexa, de nada ter a desdizer.

Já me levo inteiro de indagações a juntar atalhos,

De quem bem sabe o quanto custa o desviver.

Mas não existo o bastante se deixar de aspirar.

Assim espio manhãs. Não graduo conjuras.

Apraz-me compreender que uma reta contém variáveis.

Meus poros se aguçam de humana envergadura.

Minhas inquietações desfiam-se visíveis.

Confesso-me indisciplinado com as formalidades do risco.

Em quase tudo me arde, o que suponho merecer.

E se não o sentir, não me impele o fio a tecer.

Tenho dificuldades com prognósticos do viver pré-definido.

Não uso decifrador de tempo, para embeber-me do instante.

Declaro-me avesso, em não desfrutar, o que o momento instaura.

E quando me chega, pousa em minhas mãos, como num desenleio da alma.

Carlos Daniel Dojja

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