CORPO
Paulo Sérgio Rosseto
Eu me reinvento ávido
No instante em que morro
No passado que me renasce um pouco
E sobrepõe-se do novo
Ao desconhecido
O tempo é o que se faz sobre mim
Parecido ao que foi eu vim
E se já não serve ao que vem
Nem chegou
E o que fica se perde muito em breve
Renovar é gastar-se no fogo
De ser sem ter medo do pó
Sou esse do avesso
Que explode em vez de sumir
Renasce no mesmo endereço
Só para recomeçar a ir
Ainda que esteja trôpego
Indiferente e só
Nesse mesmo escopo sigo
Enquanto me aguenta o corpo
@psrosseto