teorema do gesto nulo
deitado de costas
para o mundo
volto-me
cheio
girassol
girando
o sol
assombro
crânio
perpendicular
luz sombra
terrível sofisma
asas que falam
vozes que voam
pessoas oblíquas
como água
pessoas verticais
como a sede
a mão pousada
no obscuro ombro
determinante
mente e diz que não
que o peixe morre
pela mão
pelos gestos
por coisa nenhuma
abre-se imensa
terra no mar
mas tudo isto porquê
se eu só queria morrer
sem me querer matar.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "teorema do gesto nulo")
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