CRÔNICA DE QUINTA
NAS CERCANIAS DE VERA CRUZ
Ousaria recomendar a quem fizer a próxima edição do livro EU, VENERÁVEL DE MIM – este que comemora o primeiro cinquentenário da FUPS, que pense seriamente, por gentileza, em acrescentar um novo e importante item à história, o qual, confesso, me esqueci completamente de fazer, e pelo ato falho peço sinceras desculpas, pois já mereceria estar ali.
Ele seria inserido ali no Capítulo da página 103, onde falamos das TRADIÇÕES que tem sido celebradas, participadas ou apoiadas pela nossa Loja. Festas e celebrações que ao longo dos anos nasceram simples e depois, com o passar dos anos vieram ganhando forma, força e vigor, tais como a FARROUPILHA, o 2 DE JULHO, o 7 DE SETEMBRO e o CHÁ DA PRIMAVERA, quando todos os Irmãos se mobilizam para ajudar fazer acontecer por entenderem que tem um caráter de extrema beleza fraterna e faz bem à Ordem e à Sociedade como um todo. Refiro-me ao DIA DAS MÃES em Vera Cruz.
Dona Evelyn Marques de Oliveira, lá daquela Comunidade, era dessas que não mediam esforços para estender a mão, dividir o pão, repartir o pouco que tinha. Tudo o que seu esposo comprava de mantimentos, e olha que não era muito não, virava partilha com os vizinhos. Humildade e perseverança eram seus sobrenomes. E a maior alegria de sua alma era justamente ver os outros ao seu redor, felizes. Além disso, havia algo ainda muito mais peculiar naquela mulher. Nos tantos DIAS DAS MÃES que se seguiam, então, a festa era completa. Os filhos chegavam, a casa pequena ficava cheia, o coração dela transbordava. E tinha um momento que ninguém esquecia: quando um deles aparecia com um toca-fitas — desses antigos, já arcaicos, e a música quebrava o silêncio gritando “Mamãe, Mamãe / hoje estou tão feliz!”, de Aguinaldo Timóteo aí, a emoção tomava conta. Era choro, abraços, risos. Felicidade pura e imensa.
Da mesma forma com os encontros a vida também nos ensina despedidas, bem já escreveram Fernando Brant e Milton Nascimento naquela canção ENCONTROS E DESPEDIDAS, um hino mineiro que todos nós conhecemos. Então, no dia 17 de fevereiro de 1999, dona Evelyn partiu, deixando oito filhos sendo um deles, o nosso amado Irmão Valmi.
A festa não se perdeu, o Dia das Mães de dona Evelyn continua a ser intensamente lembrado em Vera Cruz. Valmi tomou a iniciativa para si, e com o apoio da FUPS, neste domingo próximo será realizado mais uma vez. Será o 21º evento que conta direta ou indiretamente com a maçonaria, em parceria com a igreja e a comunidade daquele local.
Hoje, quem segura a bandeira dessa tradição de união e homenagem às mães é a cunhada Rosenil. Ela quem apoia, incentiva, organiza com dedicação cada detalhe daquela Festa que o Irmão Valmi fomenta, e que a Loja lhe empenha total sustentação para que aconteça. E assim, ano após ano, a chama não se apaga e vai devagarinho entrando para o calendário da Loja. Tanto que eu ousaria citar em nosso Livro, tamanha é a sua importância.
Muito bem. Vinte e uma celebrações, vinte e uma alvoradas. Vinte e uma missas, vinte e um cafés da manhã servidos com o coração. Sem sombra de dúvidas, vai se tornando sempre maior. É um momento de partilha, afetuosa e de doação quase silenciosa na sua beleza, como gostava dona Evelyn, como querem seus filhos, como prega a nossa Ordem.
A vida nos ensina a valorizar quem nos faz bem. E essa história, simples é feita com muito carinho. No sábado, todos se reúnem para organizar. E no aguardado domingo, ao raiar Vila, o dia se faz viver. Existem Irmãos da Loja que estão lá desde o primeiro convite feito por Valmi. Outros foram se agregando com o passar dos anos. Cada um auxilia como pode, com o que pode e tem, a seu modo e jeito. O legado da matriarca da família Marques não morreu, vira festa todo ano.
E a festa somente continua a acontecer e se fortalecerá sempre e ainda mais, através de sua exemplar característica de doação. E grande parte da Força e União de Porto Seguro se soma àquela paróquia para mais uma comunhão fraterna; mais uma das ações sociais que somente acontecem por meio de Lojas coesas e unidas, distanciadas dos poderes políticos nem sempre vivenciados pelas vaidades maçônicas que infelizmente ainda assolam grandes mestrados, os quais, ao invés de exemplificarem trabalho e união, pouco ou nada veem...
De minha parte, enxergo que já virou tradição.
PSRosseto, 07/05/2026.
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