O APONTADOR DE LÁPIS
Paulo Sérgio Rosseto
Havia um menino que amava ser apontador de lápis
Por achar que cada ponta afiada
Detinha um caminho estreito
Por onde escorriam ideias e ideais
Consumia o tempo observando os gestos
Do rodar dos lápis sob a lâmina breve
Roçando a madeira em pequenas espirais
Que depois de intenso trabalho
Descansavam num estojo escolar
Escrevia miúdo: quando crescer
Continuarei a ser a mão que refina os traços
Dessa ferramenta do possível
Não queria ser poeta nem pintor
Nem desenhar em giz ou tinta de aquarela
Mas apontador dos lápis
Que traduzissem sonhos formatando letras
Seu encanto era tamanho
Que até mesmo as canetas dançavam para ele
Em pontas milimetricamente perfeitas
Esquecera entretanto de que grafite e madeira
Consumiam-se juntas nas meras fagulhas
De sua infância tão ligeira
@psrosseto
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