Inércia
Olhava-me o lago era
O descanso de si, inexorável.
Surgia uma mosca a sobrevoar a superfície
Muito apta a rasgar aquele tecido
E boiava
E ia embora quando um garoto acneico
Compartilhando consigo sua habilidade
Jogava a pedra mais chata que encontrava
O braço elástico como no baseball
O piar de um canário não encontrava nuvem
Batia na lua diurna (insólita)
E voltava.
O silêncio era o mais forte dos movimentos
Engolia com uma boca d'água a pedra chata
E voltava a trabalhar até que o menino cansasse.
Mas não cansava.
O que cansava nele
Era o barulho que fazia.
(22/04/26)
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