Lembro da época em que ler jornais

e revistas de fofocas de artistas

expostos pelo jornaleiro

era motivo de encontro social.

Ir apreciar a beleza feminina, para uns,

era combustível fundamental.

 

A infância e a adolescência

de muita gente passou pela banca de jornal,

que vendia revistinhas,

brinquedos, álbuns de figurinhas,

doces, selos e até

clássicos da literatura mundial.

Ir ao jornaleiro era parte

da nossa rotina sócio-cultural.

 

Revistas de carros, revistas de receitas,

revistas de viagens, revistas de beleza,

revistas de religião e até revistas de arte,

também se encontravam nas bancas de jornal;

e conversar com o jornaleiro

fazia parte da ida à banca como ritual.

 

Hoje, em tempos em que alguns

desqualificam a nossa cultura

para pavimentar a reescrita por forças alheias,

mal se encontra nas esquinas das cidades

uma simples banca de jornal.

 

Depois de tudo, afastados desse detalhe,

tudo indica que fomos lançados

ao desastre intelectual como projeto

de braços do oculto, fadados

a um futuro anormal.

Sem me retratar, não consigo pensar

num acaso de maneira natural.

 

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