A MANSÃO DA MARIQUINHAS

Lá no alto da colina, junto ao largo do jardim,
Há uma casa iluminada que parece não ter fim.
Tem varandas rendilhadas, mil janelas a brilhar,
É a mansão da Mariquinhas, toda a gente a comentar.


Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.


Tem piano na sala grande, tem espelhos pelo ar,
Tem cortinas de veludo e um relógio a badalar.
Mas no meio de tanta riqueza, de tão fina decoração,
Falta o riso verdadeiro que aquece o coração.


Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.


Numa noite de luar claro, Mariquinhas foi pensar,
De que serve tanta prata sem alguém pra partilhar?
Abriu portas e janelas, pôs a mesa até ao fim,
E chamou toda a vizinhança para um baile no jardim.


Hoje a casa está mais viva, ouve-se gente a cantar,
Há gargalhadas pelos cantos e crianças a dançar.
Pois aprendeu a Mariquinhas, sem luxo nem condição,
Que a maior das grandes riquezas mora na união.


Ai, Mariquinhas, tua bela mansão,
Agora tem vida, calor e emoção.
Porque o verdadeiro tesouro, meu irmão,
É ter amor a morar no coração.

 

Com florinhas no cabelo a Mariquinhas faz furor,
Quando passa na viela, toda ela é graça e cor.
Traz um xaile azul aos ombros, leva o sol no seu olhar,
E até a lua se demora só p’ra a ver passar.

 

Na mansão da Mariquinhas há segredos de encantar,
Há guitarras nas janelas sempre prontas a tocar.
E ao cair de cada tarde, quando o sino dá sinal,
Já se dança e já se canta num arraial sem igual.

 

Ó Mariquinhas, menina de eleição,
Tens nas mãos a alegria e no peito uma canção.
Quem te vê logo suspira, sem saber bem a razão,
Se é das flores no cabelo, se é da luz do coração.

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