OMBREIRAS
Paulo Sérgio Rosseto
Esse meu paletó
Está apertado demais para o que sou hoje
Não preciso mais dessa carapuça de pano
Envolvendo meu dorso
Por isso o abandono
Os bolsos nada mais recolhem
Pois as mãos pouco amealham
O lenço desfaz-se para longe do peito
Nem existe mais flor na lapela
E os botões caíram como dentes
Desprendendo a madrepérola da abotoadura
O tecido puiu com o uso
E o forro engordurou com o suor da labuta
Apenas as ombreiras permanecem no lugar
Estas não enganam cada uma continua absoluta
Ademais nada mais me assusta
Se esse meu paletó anda velho e eu idoso
Fizemos bons tempos de uso
Hoje antigos
Ontem novo
@psrosseto
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