Savacu-de-coroa

Diante do oceano que és,

como ave e livre poema,

sobrevoo com asas intensas

nas tuas regiões costeiras,

sem permitir que me vejas,

para abrigar-me nos manguezais

do teu consciente e inconsciente,

e ousar ser o pulmão e a respiração.

 

Súdita dos teus ensinamentos corajosos

que permanecem mesmo em fase

de maré bravia que a presença me priva,

a mente vira árvore e rochedo

onde o savacu-de-coroa se abriga.

 

Não apenas feita de algum sinal,

mas da raiz até a alma sambaquiana,

sob a proteção do Hemisfério Austral,

nas correntes da Baía da Babitonga,

pronta para com amor te tomar sem conta.

 

Porque reinar sob a glória do teu amor

a mim me destina com toda a honra

e pompa que sei que serei digna,

sob o teu olhar feito de fidalguia:

o desejo sedento, a adorável malícia,

e constelação que n'amplidão te ilumina.

 

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