ENGANOS
Paulo Sérgio Rosseto
Todos os dias escreverei
Um poema para amanhã cedo
Assim se desacreditar das palavras
Será tarde e o verbo já estará dito
Então não teremos segredos
Escrevo para quem espalha
Sementes nos bolsos do escuro
Ciente de que se o chão me falte
Somente a promessa do broto
Já será um legado ao futuro
Amanhã quando o dia raiar
O poema estará aqui para dizer
Como fui herdeiro dos medos
Provando que apenas quis
De tudo fugir pelos versos
E se a dúvida ainda vier de visita
Com sua face fria de espelho
Dirás que fui tarde demais ou cedo
Depois de escritas palavras de fogo
De pó raízes e gelo
Mas se nem eu nem você amanhecermos
O poema será prova conclusa
Do quanto nos enganamos
Eu por haver crido no encanto das letras
E tu crendo em meus versos escritos
@psrosseto
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