Fique.

Quando a rendição chegar sem resistência,

e o desejo se curvar com fina ardência 

à minha vontade cheia de malemolência,

a entrega plena te tomar por inteiro,

a liberação através do controle firme,

afastando o ruído do mundo e as influências 

que ainda tentam distrair e levarem ao limite.

 

Fique.

Se for para florescer em tremores,

quando o minuano soprar forte, 

roçar, balançar e amainar 

tão fundo como catuaba-branca

na profunda e verdejante Mata Atlântica.

 

Fique.

Se for para fazer história na existência 

e plenamente amorosa na memória,

quando sentir o frenesi lento,

autêntico, possante e devorador,

e teu corpo aprender leal que 

não haverá regresso com todo amor.

 

Fique.

Com quem comanda num toque 

os teus pontos sensíveis de prazer,

e as rotas com magnitude não permita

nem por um minuto nos esquecer,

e seja o motivo do sorriso espontâneo

sem a necessidade de explicações render.

 

Fique.

Quando teus lábios, meus íntimos 

se abrirem para fundir o ouro

da nossa polaridade com aromas,

perfumes e sabores compartilhados,

e o verdadeiro prêmio for a liberdade 

que só existe na rendição total 

ao que sabe tomar o que é na totalidade

com exclusividade — meu e seu.

 

Fique.

Porque onde eu lidero, tu floresces.

Onde eu tomo, tu te entregas.

E nessa dança ancestral, sem jogos,

nos permitir o pulo do gato e o tesouro

ganharmos muito mais do que o dobro —

eu na minha glória, tu no teu êxtase,

a realidade acordada de viver o nosso sonho.

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