A Matemática da Vida
Na matemática da vida, os números não obedecem às regras dos livros.
As contas são feitas com afetos, ausências, encontros e despedidas.
Por isso, a soma pode resultar em uma divisão.
Somamos pessoas aos nossos dias, sonhos aos nossos planos, caminhos às nossas jornadas.
Mas nem toda chegada permanece.
Às vezes, aquilo que se acrescenta também separa, transforma, redistribui.
E o que parecia união revela novos rumos, novas distâncias, novas versões de nós mesmos.
A subtração pode ser uma multiplicação.
Há perdas que doem como páginas arrancadas da alma.
Há silêncios deixados por quem partiu, portas que se fecham, ciclos que terminam.
Mas é justamente no espaço vazio que a vida encontra lugar para florescer.
O que foi retirado abre caminho para aprendizados, forças e possibilidades que se multiplicam além do que imaginávamos.
A divisão pode ser uma soma.
Quando dividimos o pão, a mesa se torna mais farta.
Quando dividimos a dor, o peso se torna mais leve.
Quando dividimos o amor, ele não diminui; expande-se.
Há riquezas que só existem quando compartilhadas, e há alegrias que crescem ao encontrar outros corações.
E a multiplicação, muitas vezes, nasce das subtrações que tivemos coragem de fazer.
É preciso renunciar ao medo para multiplicar a liberdade.
É preciso abandonar velhas certezas para multiplicar horizontes.
É preciso deixar partir aquilo que já não nos serve para multiplicar a vida que ainda nos espera.
Assim segue a matemática da existência:
uma ciência sem fórmulas exatas,
onde os resultados são escritos pelo tempo,
corrigidos pela experiência
e iluminados pela esperança.
Porque, no fim, a vida não calcula apenas o que ganhamos ou perdemos.
Ela revela o que nos tornamos ao longo das contas que tivemos de aprender a fazer.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Comentários (3)
gostei muito, boa boa reflexão da vida com as suas vicissitudes, que algumas não compreendemos, outras nos movem para continuar e agradecer. Parabéns
Obrigado, Ademir.
Muito belo este texto ... parabéns, poeta Sebastião Xirimbimbi - muito realista . pois o que disse é simplesmente a vida vivida. ademir.