Não preciso de permissão

para tomar conta da sua

consciência íntima toda.

Por ter a senha e a chave,

entro a qualquer hora,

com calma, porque moro

no coração e no pensamento,

certa de que já me esperava. 

E não me desculparei nunca

por te desejar inteiro:

tornei-me o adorável tormento.

 

​O mundo lá fora implora

por sua atenção.

Com tato de senhora

do que a sua mente quer,

mostro lado a lado

tudo o que você sempre

sonhou e nunca vivenciou;

porque, sem volta,

nos sagramos atlânticos.

 

​No abandono luxurioso

a dois, em banho dourado

pelo preguiçoso sol de junho

cortando o guanandi,

sem perder o embalo

alucinatório com os rubis

íntimos totalmente pulsantes,

trocamos os lábios coralíneos

bailantes, vivos e famintos,

por plânctons místicos.

Somos a continuidade

do romantismo proibido.

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